Duas cantoras que devem ter passado batido por você e que você tem o dever de ouvir de novo.
St. Vincent
A música de Annie Clark, também conhecida como St. Vicent, definitivamente foge do óbvio. A faixa que escolhi mostrar, “Cruel” do mais novo álbum Strange Mercy, mostra os contrastes da música de Clark. Uma batida meio disco, ligeiramente regrada e divertida, te leva para o fim da música com uma melodia que se arrasta do início ao fim e de uma forma bastante curiosa. Sua voz que, ora suave e passiva, ora demasiada ativa, alcança timbres interessantes em ambos momentos (preste atenção no refrão) ao mesmo tempo que contrasta com um plano de fundo um tanto quanto sombrio. A música, no geral, soa muito divertida pra ser considerada assustadora, mas a letra te leva pra esse mundo se você não se perder pelos outros aspectos antes citados.
Strange Mercy, terceiro álbum de St.Vicent, será lançado oficialmente no próximo dia 13.
Veja este belo clipe que completa, e muito, a música que falei:
Kathryn Calder
Se não se recorda do nome, talvez quando ouvir se lembre da voz. Kathryn, além do seu trabalho solo, também dá o tom com os canadenses do The New Pornographers e do Immaculate Machine. A música que decidi mostrar faz parte do novo e segundo álbum dela, Bright And Vivid, que será lançado no mês de outubro. Ainda não se tem ideia de como são as músicas do disco, mas se esta faixa teaser for um indicativo de como ele é, de fato, teremos mais uma coisa boa pra se ouvir em breve.
Ouça a animada e bela voz de Kathryn em Who Are You?
Como prometido pela banda, o novo EP do Wavves com participações das bandas Best Coast e Fucked Up, será lançado oficialmente no próximo dia 20. O material será o primeiro trabalho da Ghost Ramp, gravadora independente do próprio Nathan Williams, frontman do Wavves.
Ontem, I Wanna Meet Dave Grohl (uma das faixas do compacto), foi lançada oficialmente na série de TV I Just Want My Pants Back, em que Wavves atua como compositor convidado na primeira temporada.
O EP Life Sux, que será lançado em vinil e cd, contará com as seguintes faixas:
01 Bug
02 I Wanna Be Dave Grohl
03 Nodding Off [ft. Best Coast]
04 Poor Lenore
05 Destroy [ft. Fucked Up]
06 In the Sand [Live]
O download da música está disponível na página do seriado, mas você também pode ouvir abaixo:
Semana passada, James Blake twittou a seguinte mensagem:
Sem muito alarde e informações sobre o possível projeto que levariam juntos, o jeito foi esperar pra ver o que viria. Ontem pela manhã, a rádio BBC 1 foi a primeira a transmitir essa belezura de alquimia entre esses dois belos artistas.
Ouça “Fall Creek Boys Choir”, com vocal de Bon Iver e produção de Blake:
Hoje, o Estúdio Showlivre será o palco virtual de Criolo e sua banda completa. Para quem ainda não teve a oportunidade de presenciar o tão comentado show do rapper, poderá se contentar com a transmissão em tempo real da apresentação que rola no Estúdio Showlivre, a partir das 15h desta quarta cinzenta.
Além de Criolo que se apresenta hoje, já passaram por lá bandas como Holger, Zémaria, Mombojó e Raimundos. Vale a pena conhecer.
Assista abaixo, essa belezura de clipe para a música que leva o nome do último álbum do Bon Iver, Holocene. As belas imagens do menino andarilho foram dirigidas pelo australiano Nabil Elderkin.
Já estamos no segundo semestre de 2011, mas venho aqui insistir em um trabalho do ano que se passou. Em 2010 pude conhecer Gil Scott-Heron de uma forma diferente do que costumo fazer, pelo fim. Talvez pela ironia da idade, das minhas relações sociais, do destino, para quem acredita nele, ou de qualquer outra dessas coisas da vida, nunca havia ouvido falar de Gil Scott-Heron e ao invés de buscar ouvir seus primeiros passos no mundo da música, encarei despretensioso o que viria ser o seu disco de despedida, I’m new here.
O resultado desta minha experiência foi incrivelmente feliz. Este álbum de música falada tem o poder de fazer qualquer pessoa pensar a vida e suas visões de mundo. E talvez, o mais curioso dessa fantástica atmosfera que envolve a obra, é que Gil parecia saber que sua hora chegaria em breve. Já que seu último trabalho de estúdio fora lançado em 94, com o cd Spirits, era seu dever deixar que sua voz novamente encontrasse o microfone. Logo, era de se imaginar que Gil, crítico fervoroso da superficialidade dos meios de comunicação, consumismo, racismo e outras coisas mais, pudesse então em I’m New Here, colocar a boca no mundo e debater sobre as mudanças neste período em que esteve fora dos holofotes.
Mas não, esse agrupado de 15 faixas soa muito mais como necessidade do que oportunidade ou até mesmo provação. Já na capa é possível entender o cenário e a intenção, nelaGil aparece tranquilo dando o seu último trago musical. O cansado Scottnão precisava se reposicionar sobre nada e atua neste último álbum com apenas um objetivo: ficar bem consigo no intuito de descansar em paz.
I’m New Here nada mais é do que uma autobiografia em que o velho negro que vos canta, agradece tudo e todos os que o ajudaram a criar sua identidade e fizeram ele se tornar o que ele foi enquanto esteve entre nós. Logo na primeira faixa, On Coming From a Broken Home Part 1, Gil dá o tom da obra e entoa o agradecimento dedicando o disco a sua avó, mulher a quem ele diz dever tudo o que foi. No decorrer de todo o álbum, Gil se da o direito de dar alguns “depoimentos”, todos muito interessantes e que admitem que até os piores e indesejáveis traços de sua personalidade são partes indispensáveis da sua formação e identidade.
“She had more than the five senses, she knew more than books could teach and raised everyone she touched just a little bit higher. And all around her there was a natural sense as though she sensed what the stars say what the birds say, what the wind and the clouds say. A sensual soul and self that African sense. And she raised me like she raised 4 of her own and I was hurt and scared and shocked when lily Scott left suddenly one night. And they sent a limousine from heaven to take her to god,if there is one. So I knew she had gone. And I came from a broken home.” (On Coming From a Broken Home, Part 1)
Destaco três faixas que mais me chamaram atenção no álbum, são elas: I’m New Here, Where Did the Night Go e New York Is Killing Me
A música que dá nome ao cdaparece na terceira faixa, uma preciosidade em forma de folk de autoria do cantor Bill Callahan e que empresta o poema da sua letra para a biografia de Scott (trecho preferido: “No matter how far wrong you’ve gone, you can always turn around”). Situando o meio da obra, Where Did the Night Go, traz a insônia, a solidão e a incapacidade de se comunicar com uma pessoa amada.Por fim, a última das faixas que julgo cruciais para o desfecho do disco é New York Is Killing Me, em queGil Scott confessa o desgosto pela cidade que passou grande parte da sua vida e que o levou a uma vida alienante por muito tempo. Nesta faixa fica clara a saudade que sentia do seu antigo lar, em Tennessee, que foi obrigado a deixar depois do falecimento de sua avó Lily Scott (trecho: “Eight million people, and I didn’t have a single friend”).
São menos de 30 minutos de material que não conseguiria descrever, tamanha grandeza, mesmo se pudesse teclar centenas de páginas. Em I’m New Here, Gil Scott ainda encontrou tempo e espaço para se afirmar como um grande interprete cultuando três gerações com interpretações fantásticas: Me And The Devil do respeitado bluesman Robert Johnson, o clássico da Bobby “Blue” Bland, I’ll Take Care of You e a incrível interpretação de I’m New Here, música do Bill Callahan (Smog). Uma obra que conta a história de uma vida e que descreve a personalidade de um homem através de 15 faixas musicais, um álbum de adeus de um homem que só precisava dizer suas últimas palavras.
Gil Scott subiu para o andar de cima no dia 27 de maio deste ano após voltar de uma viagem à Europa. Scott tinha 62 anos de idade e faleceu cerca de um ano após o lançamento deste álbum.
OuçaI’m new here eWhere Did The Night Go, terceira e oitava faixa respectivamente:
Se você já se interessou um bocado por blues já deve ter ouvido falar que Robert Johnson é seu pai. E se eu falar que antes dele existiu um cara chamado Charley Patton, um interiorano que passou a maior parte da sua vida na plantação da lendária família Dockery, nas terras do delta do Mississipi? Um vadio, vagabundo, que vivia sustentado por suas mulheres e passava seu tempo no ócio completo, mas mandava muito no violão?
Embora seu nome não seja muito lembrado, Patton foi uma grande influência no blues. Não se sabe muito sobre ele, mas há relatos de que cantor fez seu nome como um animador de festas populares onde encantava com a sua teatralidade, palhaçadas e malabarismos e que há décadas antes de Hendrix, já quebrava tudo tocando com o violão atrás da cabeça.
Enfim, Charley Patton é a perfeita imagem mítica do bluesman. Em suas músicas cantava a bebedeira, as farras, as mulheres e a vida nas estradas. Improvisador nato mudava a acentuação das palavras pra ditar um novo ritmo, sem contar o seu contente abuso dos slides.
Placa em homenagem a Patton, no cemitério de Heathman, Mississippi, onde foi sepultado o corpo do bluesman em 1934.
Influenciou não só Robert Johnson, mas gigantes como Eddie Son House, Howlin’ Wolf, Tommy Johnson e Bukka White que beberam da sua fonte e se tornaram grandes lendas da música.
Deixando um pouco de lado o vínculo de parentesco do Blues, se ele tem pai ou não, pouco importa. O que vale à pena é saber que existiu uma pessoa que muito inspirou alguns de nossos ídolos e que fez muita gente sofrida e simples ter um momento de felicidade em celeiros ou bares obscuros em meados do século XX.
Abaixo, duas canções de Patton que ficaram bastante conhecidas:
Down The Dirt Road Blues
Pony Blues
Obs: Inspirado no livro “Blues”, do historiador e ilustrador Robert Crum.
Hoje pela manhã a rádio canadense, KBCO, trasmitiu a mais nova música de trabalho da cantora Feist. A faixa “How Come You Never Go There” faz parte do quinto álbum, Metals, que será lançado em outubro deste ano.
Calgary, primeiro single do novo álbum do Bon Iver (que será lançado oficialmente no próximo dia 21 pela Jagjaguw, acaba de ganhar um clipe. O pequeno filme de 4 minutos dirigido por André Durand e Dan Huiting, conta com cenas bem estranhas sob um tratamento de imagens opaco, no mínimo, interessante.
Como anunciado ontem pela banda, a manhã desta sexta-feira contou com a mais nova música dos londrinos liderados por Chris Martin. Apesar do lançamento da faixa, não existem previsões de lançamento de um novo álbum.
Com potencial para ambientar futuras pistas, Every Teardrop Is A Waterfall embora tenha a costumeira carga emocional embutida na letra, se desenvolve de forma bem animada.