Se você já se interessou um bocado por blues já deve ter ouvido falar que Robert Johnson é seu pai. E se eu falar que antes dele existiu um cara chamado Charley Patton, um interiorano que passou a maior parte da sua vida na plantação da lendária família Dockery, nas terras do delta do Mississipi? Um vadio, vagabundo, que vivia sustentado por suas mulheres e passava seu tempo no ócio completo, mas mandava muito no violão?
Embora seu nome não seja muito lembrado, Patton foi uma grande influência no blues. Não se sabe muito sobre ele, mas há relatos de que cantor fez seu nome como um animador de festas populares onde encantava com a sua teatralidade, palhaçadas e malabarismos e que há décadas antes de Hendrix, já quebrava tudo tocando com o violão atrás da cabeça.
Enfim, Charley Patton é a perfeita imagem mítica do bluesman. Em suas músicas cantava a bebedeira, as farras, as mulheres e a vida nas estradas. Improvisador nato mudava a acentuação das palavras pra ditar um novo ritmo, sem contar o seu contente abuso dos slides.
Placa em homenagem a Patton, no cemitério de Heathman, Mississippi, onde foi sepultado o corpo do bluesman em 1934.
Influenciou não só Robert Johnson, mas gigantes como Eddie Son House, Howlin’ Wolf, Tommy Johnson e Bukka White que beberam da sua fonte e se tornaram grandes lendas da música.
Deixando um pouco de lado o vínculo de parentesco do Blues, se ele tem pai ou não, pouco importa. O que vale à pena é saber que existiu uma pessoa que muito inspirou alguns de nossos ídolos e que fez muita gente sofrida e simples ter um momento de felicidade em celeiros ou bares obscuros em meados do século XX.
Abaixo, duas canções de Patton que ficaram bastante conhecidas:
Down The Dirt Road Blues
Pony Blues
Obs: Inspirado no livro “Blues”, do historiador e ilustrador Robert Crum.
